sábado, 1 de fevereiro de 2014

Engordar como forma de auto-sabotagem

Por Cris Florees


             


Outro dia, recebi um e-mail de uma leitora que me disse que em sua terapia descobriu que engordou como uma forma de se punir por ser muito bonita. Ela afirmou com todas as letras que a forma que encontrou para diminuir o assédio sexual que sofria na adolescência foi engordar.  Parece algo absurdo e até um tanto quanto prepotente, mas será que isso não é realmente possível? Engordar como uma forma de se auto-sabotar?
Deem uma Lida e reflitam!!
Hoje sabemos que podemos ser bonitas, sensuais e bem-resolvidas mesmo gordas. Mas como era o conceito que fazíamos do sobrepeso antes, na adolescência?
 Não foi a primeira vez que escutei ou li esse tipo de comentário. Uma querida amiga, por exemplo, dona de lindos olhos azuis, inteligentíssima, sentia-se cobrada por seus pais. Ela era, aos olhos deles (mesmo que disfarçassem e não assumissem isso publicamente) melhor em diversos aspectos que a irmã. E quanto mais bonita ela ficava, mais cobranças acerca da sua beleza ela recebia. Ao engordar essas cobranças pararam. Ela deixou de ser considerada “acima da média”, virou a “inteligente da família”, enquanto a irmã era a “mais bonita”, aos olhos dos que as cercavam.
Nasci um bebê com peso normal e sempre fui muito ativa. Fazia volei, natação, ballet… Brincava de corre-corre, pique-esconde… Nas férias vivia no mar e andava todos os dias quilômetros e mais quilômetros de faixa de areia. Era uma criança magra.
Aos 12 anos, de uma hora para a outra, enormes seios surgiram no meu corpinho esguio. Surgiram também a cinturinha fina e o quadril largo. Porém, continuava magra. Aos 14 anos pesava 52 Kg e já tinha 1,72m.
Com esse corpo novo surgiram novas cobranças: “sente de perna fechada, mocinha não pode ser assim”. “Não estufe essa barriga!”… Para completar, tenho uma tia poucos anos mais velha do que eu. Ela é mais uma espécie de irmã mais velha do que tia, a Laiza, que sempre foi muito magra e linda. Óbvio que me comparavam com ela. E isso, para uma criança, dói.
Na escola, ouvia piadas e histórias de que eu tinha não sei quantos namorados, mas a verdade é que eu demorei pacas para dar meu primeiro beijo na boca, era tímida e encalhada e mesmo assim diziam que eu “transava com sei lá quem”. Isso para mim era humilhante. Eu tinha o sonho de casar virgem, pura e mais um monte de lenga-lengas românticos e me sentia desrespeitada. Acontece que eu era uma menina com corpo de mulher e isso talvez tenha dado margens à imaginação daqueles garotos idiotas e das meninas invejosas.
Na rua, ouvia cantadas de homens mais velhos, com idade para serem meus avós. Foi aí que aprimorei minha capacidade de ser grosseira e respondia sempre com agressividade a esses tarados.
Ser magra e bonita, realmente era um inconveniente! Além do mais, porque eu era, modéstia à parte, muito inteligente. E, por incrível que pareça, até mesmo por parte dos professores havia a ideia de que alunas bonitas são burras. Foram diversas as vezes em que tive que comprovar que minhas redações eram realmente minhas e que eu merecia as notas altas que recebia.
Com o tempo, deixei de me dedicar na escola. Tirar notas médias e baixas e engordar era uma boa forma de não ser notada, de ser como todas as outras garotas.
Hoje encaro meu corpo de outra forma e sei que esse engorda/emagrece/engorda também foram responsáveis pela mulher  que hoje sou. Entretanto, o vício da auto-sabotagem, não só a do corpo, também refletiu em outros aspectos de minha vida. E é disso que eu preciso cuidar, hoje.

Agora um pouquinho sobre a Chycosa que escreve...  rsrs... Hoje posso dizer com plena certeza apesar de nunca ter feito terapia que eu já passei por isso várias vezes desde a minha adolescência. Sempre fui uma criança fofinha, nunca fui magra, corria por tudo, não parava um minuto quieta,nunca fui sedentária e ainda assim não podia ser considerada magra. Na minha adolescência devido ao crescimento natural da época dei uma espixada o que representou  que eu tivesse emagrecido. Na época dos meus 12/13 anos começou pressão dos colegas, preconceito, paixonites escolares..., e aí lá vai eu, lutar contra a balança. Dietas milagrosas, horas e horas de exercícios aeróbicos, localizados, privações em comer o que eu gostava... pra que? Se quando emagrecia um pouco não gostava do que via, eu mesma ia comer coisas que sabia que me "engordariam" novamente e assim acabaria voltando a minha forma original pois   nunca me achei bonita com as pernas finas, por que as pernas sim eram as primeiras a emagrecer e a barriga continuava lá linda e bela rsrsrs. Só depois de muitos sofrimento, decepções, amadurecimento..., que compreendi que minha genética é essa, meu biotipo é esse e quem for gostar de mim vai gostar do meu jeito!! Hoje posso dizer que sou Feliz, saudável, tenho Qualidade de Vida, faço exercício de 2 a 3 x na semana, cuido da minha alimentação..., tudo isso sem neuras, não por pressão mas e por mim mesma pela minha saúde pois aprendi a me Amar e me Aceitar do jeitinho que Sou, assim como Deus me fez!!

Espero que tenham gostado e se alguém tiver algum depoimento a fazer pode colocar aqui nos comentários ou curti a página do face pra conversarmos ok?!


Bjo,Bjo  s2

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